Velas aromáticas, difusores e óleos essenciais já fazem parte da rotina de muitas casas. Mais do que perfumar os ambientes, porém, os aromas podem despertar memórias, influenciar emoções e contribuir para o bem-estar físico e mental. É justamente nesse princípio que se baseia a aromaterapia, prática que utiliza óleos essenciais extraídos de plantas para estimular o olfato e promover diferentes respostas no organismo.
Procurada por quem busca reduzir o estresse, melhorar a qualidade do sono ou aumentar a concentração, a técnica encontra respaldo na relação direta entre o olfato e as áreas cerebrais ligadas às emoções e à memória.
Como os aromas agem nas emoções e no cérebro
"Quando inalamos um aroma, moléculas odoríferas estimulam receptores localizados na cavidade nasal, enviando sinais ao bulbo olfatório", explica Renata de Figueiredo, arquiteta e urbanista, especialista em Neuroarquitetura e tutora do curso técnico em Design de Interiores do Senac EAD.
Segundo a especialista, essas informações chegam rapidamente a estruturas do sistema límbico, como amígdala, hipocampo e hipotálamo, regiões envolvidas no processamento emocional, nas memórias afetivas e na regulação de diversas funções fisiológicas. Por isso, determinados aromas podem despertar sensações de conforto, segurança e familiaridade.
Do ponto de vista fisiológico, fragrâncias associadas ao relaxamento também podem favorecer a ativação do sistema nervoso parassimpático, responsável pelos estados de repouso e recuperação do organismo. Entre os efeitos observados estão a desaceleração da frequência cardíaca, a redução da tensão muscular e uma sensação geral de calma.
"Não é exatamente o cheiro que acalma, mas os compostos químicos presentes nos óleos essenciais", resume Renata.
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Ainda, do ponto de vista fisiológico, aromas associados ao relaxamento podem favorecer a ativação do sistema nervoso parassimpático, responsável pelos estados de repouso e recuperação do organismo. O resultado? Respostas de desaceleração da frequência cardíaca, redução da tensão muscular e sensação geral de calma.
Portanto, não é que o cheiro seja calmante, e sim as moléculas constituintes daquele óleo essencial.
A ação de aromas e óleos essenciais não é teórica, existindo pesquisas científicas que sustentam a prática da aromaterapia. Em 2004, Richard Axel, professor da Universidade de Columbia, e Linda Buck, do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, foram premiados com o Nobel de Medicina por descobrirem como o cérebro humano reconhece e recorda de milhares de odores diferentes.
Óleos essenciais para desacelerar a mente
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Alguns óleos essencais são capazes de desacelerar a mente, como o óleo de lavanda e capim-limão — Foto: Anastasiia Krivenok/GettyImages
Um dos principais benefícios da aromaterapia é sua ação na desaceleração da mente. Mas, não é qualquer óleo que vai ter feito. Para Beatriz Yoshimura, autora do livro O essencial da aromaterapia, da Editora Senac São Paulo, tudo depende do tipo de estresse.
“Se for um estresse de tensão nervosa, pode utilizar o óleo essencial de lavanda ou capim-limão”, pontua Beatriz. Conforme estudo publicado na Frontiers in Behavioral Neuroscience, o linalol, um dos álcoois terapêuticos presentes nos extratos de lavanda, possui efeitos ansiolíticos.
A lavanda é tradicionalmente associada ao relaxamento e ao equilíbrio emocional. Seu uso é frequente em situações de ansiedade, irritabilidade, estresse e esgotamento físico e mental, além de ser uma das fragrâncias mais utilizadas em rituais de desaceleração antes de dormir.
Já se o seu estresse for ocasionado por fatores de raiva, a autora e aromaterapeuta indica o uso de óleos de camomila romana ou ylang ylang.
“A camomila ajuda na insônia, quando é difícil relaxar e desconectar-se um pouco. Nas horas em que não conseguimos relaxar por não se desprender do passado, em casos de irritação também”, diz a aromaterapeuta Solange Lima.
Outra opção é o sândalo, um óleo calmante, mas tonificante ao mesmo tempo, muito usado para processos meditativos, ajudando na insônia e no estresse.
“Todos esses óleos agem no sistema límbico e por meio do pulmão, melhorando a respiração e desacelerando os batimentos cardíacos, alguns até agem sobre a pressão arterial. Às vezes, só inalar um óleo que melhore a respiração como o hortelã-pimenta e o eucalipto globulus já acalma se a pessoa estiver com dificuldade de respirar”, acrescenta Beatriz.
Óleos essenciais para melhorar a qualidade do sono
De acordo com estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 72% dos brasileiros sofrem de doenças relacionadas ao sono, entre elas, a insônia. Para aliviar os sintomas e acalmar o corpo na hora de dormir, os óleos essenciais são uma boa pedida. “Quando associados a uma rotina de desaceleração, iluminação suave e redução de estímulos, podem funcionar como sinais que ajudam o cérebro a reconhecer momentos de descanso e relaxamento”, coloca a neuroarquiteta.
Os óleos essenciais vão auxiliar se utilizados a partir de algumas horas antes da hora de dormir, relaxando tanto corpo quanto a mente com suas propriedades sedativas, relaxantes, descongestionantes mentais, acalmando o sistema nervoso central, facilitando a chegada do sono e reduzindo suas interrupções.
O óleo de bergamota, por exemplo, é conhecido por aliviar os sintomas da insônia, mas também possui o poder de auxiliar na lembrança dos sonhos.
Em que momentos do dia usar os óleos essenciais
Use os óleos essenciais pelo menos duas horas antes de dormir ou, também, durante momentos de estresse ou ansiedade. Para quem acorda ansioso, já coloque o óleo essencial assim que despertar.
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