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Neurociência começa a mapear como óleos essenciais interagem com nosso sistema

A aromaterapia, antes vista como prática subjetiva ou mística, vem ganhando respaldo científico. Estudos recentes mostram que certos óleos essenciais podem reduzir estresse e ansiedade, alterar frequência cardíaca, pressão arterial e atividade cerebral associada a emoções e cognição.

Historicamente, o olfato foi desvalorizado na ciência ocidental, classificado como “sentido menor” no século XIX, o que atrasou sua investigação médica e neurocientífica.

Pesquisas atuais revelam que o sistema olfativo se conecta diretamente a áreas cerebrais como amígdala, hipocampo, córtex orbitofrontal e ínsula, regulando emoções, memória e decisões.

Óleos essenciais no sistema

  • Revisão narrativa: Indexada na PubMed, sistematizou evidências sobre os mecanismos neurobiológicos e efeitos fisiológicos e psicológicos da aromaterapia, sendo considerada marco na área.
  • Estudo clínico pós-parto: 140 mulheres inalaram óleo essencial de lavanda a cada oito horas durante quatro semanas. Resultado: diminuição significativa de depressão, ansiedade e estresse, com efeitos mantidos até três meses frente ao grupo controle.
  • EEG e função cognitiva: Pesquisa publicada no Journal of Medical Signals & Sensors avaliou alterações em ondas cerebrais após inalação de lavanda. Achados: aumento das ondas relacionadas à atenção, relaxamento vigilante e flexibilidade cognitiva, com melhora no desempenho em tarefas cognitivas.
  • Estudo-piloto sobre sono: Difusão do aroma em jovens saudáveis melhorou a percepção subjetiva da qualidade do sono, reduziu atividade alfa em vigília e aumentou ondas delta durante sono profundo, sugerindo efeito potencial em distúrbios do sono.

No Brasil, a aromaterapia integra o conjunto de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) reconhecidas pelo Ministério da Saúde e ofertadas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Anatomia e cuidados

A anatomia do olfato explica sua eficácia: moléculas aromáticas ativam receptores no epitélio olfatório, seguem direto ao bulbo olfatório e ao sistema límbico, sem passar pelo tálamo.

Além disso, uma via respiratória permite que compostos atinjam os pulmões e a circulação sanguínea, influenciando respostas fisiológicas além da percepção consciente do aroma.

Especialistas destacam a importância da diluição correta, da procedência do óleo essencial e do uso supervisionado. Aplicação excessiva ou direta pode causar irritações.

Estudos indicam efeitos sobre humor, atenção e estresse, mas não substituem tratamentos médicos, e os resultados ainda têm limitações devido a amostras pequenas e duração dos efeitos não totalmente conhecida.

Yasmin Henrique

Jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita.

Artigo original: https://tribunademinas.com.br/colunas/maistendencias/neurociencia-comeca-a-mapear-como-oleos-essenciais-interagem-com-nosso-sistema/

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